terça-feira, 5 de maio de 2015

Dormentes na Linha Ferrea

Dormentes Linha ferroviária com lastro

As recomendações técnicas para a instalação de vias permanentes

Por Carlos Carvalho
Edição 29 - Agosto/2013
 
Popularmente conhecidas como "linhas de trem ou ferroviárias", as vias permanentes são as plataformas por onde se locomovem trens de carga e de passageiros. Podem variar de dimensões e número de plataformas e, em geral, são construídas em um sistema de lastro, com brita, para dar base à dormentação que, posteriormente, recebe a instalação dos trilhos. A construção é dividida em duas etapas: infraestrutura e superestrutura.
Na primeira, é realizada a terraplanagem, na qual o terreno é preparado para receber a aplicação do sublastro - uma camada granular de areia ou brita, mais fina que a utilizada no lastro; e o próprio sublastro, que é responsável por realizar a transferência de carga recebida do lastro para o solo. Já na etapa de superestrutura, ocorre a aplicação do lastro, que é uma brita maior; dos dormentes, que podem ser de concreto ou madeira; das fixações; e dos trilhos.
Daniel Beneventi
1. SublastroO sublastro é uma camada granular (areias naturais, pó de pedra, escórias de fornos siderúrgicos) com espessuras variadas, que absorve os esforços transmitidos pelo lastro e os transfere para o terreno subjacente (plataforma). Ele impede a penetração dos agregados situados na parte inferior do lastro, além de servir como camada drenante protegendo a camada de solo das águas de chuva, não permitindo a ascensão dos finos do solo para o lastro. Também proporciona relativa elasticidade ao apoio do lastro, evitando rigidez excessiva da via permanente
2. LastroUma das principais funções do lastro é distribuir uniformemente à plataforma ferroviária a pressão exercida pela passagem dos trens junto à rede ferroviária (trilhos, fixações e dormentes), mantendo a grade estabilizada contra os deslocamentos verticais, laterais e longitudinais. Ele evita que a tensão admissível da plataforma seja ultrapassada, amortece as ações e vibrações introduzidas pelos veículos sobre a via, permite a drenagem, protege os dormentes e demais materiais da superestrutura etc. Entre os materiais que podem ser empregados como lastro de via férrea estão: pedra britada, argila calcinada, cinza (resíduo de carvão), cascalho e escória britada.
3. Dormente O dormente é um elemento da superestrutura que tem a função de receber e transferir ao lastro os esforços produzidos pelas cargas dos veículos ferroviários, servindo de suporte dos trilhos e mantendo a distância entre eles (bitola). A madeira, pela sua flexibilidade e elasticidade, é o material que melhor se adapta, tecnologicamente, à confecção do dormente, embora eles também possam ser de concreto e aço. Os dormentes de uso corrente nas ferrovias são do tipo prismáticos. É necessário que atendam às exigências da ABNT, dentre elas a de dimensões.
4. Fixadores
As placas de apoio, os tirefonds e os pregos de linhas são alguns dos elementos de fixações da superestrutura. Mantêm o contato entre o trilho e o dormente, permitindo a passagem adequada dos esforços de um para o outro. As placas de apoio colocadas sob o trilho são utilizadas para dar uma melhor distribuição de cargas e esforços transversais sobre os elementos de fixação. O prego de linha é uma fixação "natural" para a madeira. A retenção se baseia no atrito entre as faces do prego (seção quadrada) e do furo do dormente. O tirefond é um tipo de parafuso de madeira em que a cabeça tem a seção quadrada ou retangular, para receber aperto com chave tipo cruz com bocal. Devido à rosca, a retenção se baseia no atrito e no cisalhamento, portanto, é uma fixação melhorada em relação ao prego de linha.
5. TrilhosOs perfis instalados sobre os dormentes são os trilhos. É por eles que se deslocam os trens, que têm suas rodas metálicas encaixadas em sua superfície, de modo que eles têm a função de guiar as rodas. Os trilhos devem possuir propriedades mecânicas que reúnam dureza, tenacidade, elasticidade e resistência à flexão. Para atender a essas recomendações, o material indicado é o aço. Os trilhos são identificados por sua capacidade de carga, calculada de acordo com o peso por metro que ele irá receber. Ex.: um trilho TR57, utilizado em vias de transporte de passageiros, tem a capacidade de receber cargas de até 57 kg/m.
Normas Como a maior parte das linhas férreas brasileiras segue o padrão de via americano, a norma base utilizada para os projetos realizados no Brasil é a da American Railway Engineering and Maintenance-of-Way Association (Arema). No entanto, a Associação Brasileira de Normas Técnicas também possui normas que ditam as diretrizes para projetos, listadas abaixo:
● NBR 7.641 - Via Permanente Ferroviária
● NBR 5.564 - Lastro Ferroviário - Requisitos e Métodos de Ensaio
● NBR 7.914 - Projeto de Lastro para Via Férrea - Procedimento
● NBR 7.511 - Dormentes de Madeira - Requisitos e Métodos de Ensaio
● NBR 6.966 - Dormente
● NBR 7.590 - Trilho Vignole - Requisitos
● NBR 11.430 - Trilho para Via Férrea - Inclinação - Padronização
Colaboração: Antonio Rossitto, engenheiro civil e assistente técnico da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
Fonte:http://infraestruturaurbana.pini.com.br/solucoes-tecnicas/29/linha-ferroviaria-com-lastro-as-recomendacoes-tecnicas-para-a-292647-1.aspx

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